Os festivais foram promovidos pelsas redes de TVs Excelsior, Record e Globo durante o período de 1960 a 1972. Ao longo destes anos foram vitrines da música produzida pelos músicos de vários movimentos e estilos. Demonstranram não somente as características musicais mais também o contexto histórico social e político do país. A década de 60 é marcada pelo golpe de estado que iria culminar nos anos mais duros vividos pela nação através da ditadura militar.
Ao longo da década de 60 eram três as vertentes musicais: A Bossa Nova, movimento iniciado em 1958 e que obteve seu auge em 1962 com a apresentação de vários musicos brasileiros no Carneggie Hall. A Jovem Guarda, baseada nas versões do rock'n roll norte-americano e dos chamados 'nacionalistas'.
O movimento nacionalista se iniciou na base do CPC (Centro Popular de Cultura) do movimento estudantil e que tinha como característica principal a manutenção da tradição musical brasileira como forma de representar fielmente a sociedade e a cultura brasileira. Além disso propunham que as letras deveriam relatar a realidade do povo brasileiro para promover a concientização e a politização da sociedade buscando assim uma revolução social igualitária.
São estas vertentes, aliadas às disputas dos festivais, que irão levar à população o momento mais criativo e produtivo da música popular brasileira. Sem precedentes e ainda sem descendentes.
Um livro essencial para entender este periodo é o 'A Era dos Festivais' de Zuza Homem de Mello editado pela Editora 34.
Veja a transcrição na integra da apresentação do livro escrita por Tarik de Souza:
'Tal como a própria Era dos Festivais, este livro - que enquadrinha com inédita profundidade o período entre 1965 a 1972 - traça um marco divisório na MPB. Após mais de cinco anos de intensa pesquisa nas fontes, de entrevistas exclusivas com personagens de todas as latitudes envolvidas nos eventos, o jornalista e historiador paulistano Zuza Homem de Mello recompõe a teia de emoçõs, interesses e explosão artística que singularizou a época. Transporta-nos par auma fase única em que as diversas vertentes da música popular brasileira, cevadas em shows universitários, programas de rádio militantes e casas noturnas entupidas de entusiastas, magnetizaram o país. A emersão de uma juventude politizada que começou a tomar o poder na boassa nova choca-se com o recrudescimento da ditadura militar. É um momento estético riquíssimo, que assinala o rompimento com o intimismo bossa nova do banquinho-e-violão e o aparecimento - via Elis Regina - da 'desdobrada', aquela ralentada em apoteose da canção que ganharia o apelido de 'música de festival'. Essa técnica, determinante na mudança de rumos da MPB é analisada pela primeira vez por Zuza, queestudou musicologia na Juilliard School de Nova York, foi baixista profissional, aluno de Ray Brwn na School of Jazz e crítico musical de diversas publicaçõs do Brasil e do exterior. Credenciado por seu currículo e pela funçã de engenheiro de som nos programas musicais e festivais do auge da TV Record paulista, Zuza partiipou diretamente da história. Paulinho Machado de Carvalho, um dos donos d emissor, confiou-lhe o envelope com o verdadeiro resultado do célebre festival de 1966, encerrado num empate artificial entre as concorrentes 'A Banda', de Chico Buarque, e 'Disparada', de Théo de Barros e Geraldo VAndré. Com a riqueza de detalhes de uma testemunha ocular, o autor narra a tensão cometitiva entre as estrelas nos bastidores, a rpessão sobre os jurados, além da versão definitiva de 'episódios épicos', como o do violão atirado por Sérgio Ricardo em 1967.
Em torno dos festivais giraram a vertentes estéticas que até hoje balizam a música popular brasileira. A começar pela própria sigla MPB, cujo marco inicial seria 'Arrastão' (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), vencedora do Festival da TV Excelsior de 1965.Também o Tropicalismo de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé teve êxtase e agonia ('É proibido proibir', 'Questão de Ordem') nesses tumultuados palcos.
O que o povo não sube e ficará sabendo no livro é a brutal pressão política ( e até policial) do regime militar sobre os festivais que começou com a censura a algumas letras e terminou em pancadaria no FIC de 1972. Em 1968, veio a ordem fulminante: 'Caminhando' não podia ganhar de jeito nenhum. Ficou em segundolugar, o que resultou numa avalanche de vaias contra 'Sabiá', de uns tais Tom Jobim & Chico Buarque. "A vida não se resume a festivais', tentou contemporizar Vandré, para quem a vida musical terminaria ali. Já em pleno 'Brasil Grande', na fase 'Ame-o ou deixe-o', o objetivo do governo era usar o FIC como imagem exterior do povo alegre e criativo, em cntraponto às denúncias de torturas e repressão. Resultado: 12 compositores rebeldes enquadrados na Lei de Segurança Nacional e uma atuação dupla - somene neste livro revelada - do compositor Gutemberg Guarabira, qua acumulava as funções de diretor artístico do festival com a de clandestino militnte da Aliança Libertadora Nacional. No FIC de 1972 as cartas acabaram maradas tambem co sangue. A presidente do júri, Nara Leão, foi afastada (por causa de entrevistas contra os miitares) e o jurado encarrregado de ler o manifesto dos expurgados - o escritor e psicanalista Robero Freire -, arrancado do palco e brutalmente epancado.
Neste corajoso 'A Era dos Festivais', Zuza Homem de Mello, além de celebrar um dos períodos áureos da criação musical nativa, abre a cortina dese passado nebuloso e tira os esqueletos do armário da MPB.
Tárik de Souza.'
I Festa da Música Popular Brasileira
TV Record - 1960
Canção do Pescador (Newton Mendonça) Roberto Amaral
Eu (Laudelina Cotrim de Castro) Mag May
Seringueiro (José Assad) Edilton Lopes
I Festival Nacional da Música Popular Brasileira
TV Excelsior - 1965
Arrastão (Edu Lobo & Viniciius de Moraes) Elis Regina
Valsa do amor que não vem (Baden Powell e Vinicius de Moraes) Elizeth Cardoso
Eu só queria ser (Vera Brasil e Mirian Ribeiro) Claudete Soares
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
II Festival Nacional da Música Popular Brasileira
TV Excelsior - 1966
Porta Estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona) Airto Moreira e Tuca
Inaê (Vera Brasile Maricene Costa) Nilson
Chora Céu (Luiz Roberto e Adilson Godoy) Claudia
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
II Festival da Música Popular Brasileira
TV Record - 1966
A Banda (Chico Buarque de Hollanda) Nara Leão
Disparada (Geraldo Vandré e Théo de Barros) Jair Rodrigues
De Amor ou paz (Adauto Santos e Luís Carlos Paraná) Elza Soares
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
I Festival Internacional da Canção Popular
TV Rio e Secretaria de Turismo da Guanabara - 1966
Saveiros (Dori Caymmi e Nelson Motta) Nana Caymm
O Cavaleiro (Tuca e Geraldo Vandré)
Dia das Rosas (Luis Bonfá e Maria Helena Toledo)
III Festival da Música Popular Brasileira
TV Record - 1967
Ponteio (Edu Lobo e Capinan) Edu Lobo e Marília Medalha
Domingo no Parque (Gilberto Gil) Gilberto Gil e Os Mutantes
Roda Vida (Chico Buarque) Chico Buarque e MPB4
Alegria, alegria (Caetano Veloso) Caetano Veloso e os Beat Boys
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
II Festival Internacional da Canção Popular
TV Globo - 1967
Margarida (Gutemberg Guarabira) Gutemberg Guarabira e Grupo Manifesto
Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant) Milton Nascimento
Carolina (Chico Buarque) Cynara & Cybele
I Bienal do Samba
TV Record - 1968
Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro) Elis Regina
Bom tempo (Chico Buarque) Chico Buarque
Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho) Marília Medalha
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
III Festival Internacional da Canção Popular
TV Globo - 1968
Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque) Cynara & Cybele
Pra Não Dizer que não falei das Flores (Geraldo Vandré) Geraldo Vandré
Andança (Paulinho TYapajós, Danilo Caymmi e Edmundo Souto) Beth Carvalho e Golden Boys
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
IV Festival da Música Popular Brasileira
TV Record - 1968
São, São Paulo meu amor (Tom Zé, Canto 4 e os Brasões
Memórias de Marta Saré (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri) Edu Lobo e Marilia Medalha
Divino, Maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso) Gal Costa, Ivete e Arlete
Adobe Flash Player not installed or older than 9.0.115!
IV Festival Internacional da Canção Popular
TV Globo - 1969
Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) Evinha
Juiana (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar) A Brazuca e Antonio Adolfo
Visão Geral (César Costa Filho, Ruy Mauriti e Rnaldo M. de Souza) Quarteto 004 e César Costa Filho
V Festival da Música Popular Brasileira
TV Record - 1969
Sinal Fechado (Paulinho da Viola) Paulinho da Viola
Clarice (Eneida e João Magalhães) Agnaldo Rayol e Trio Mocotó
Comunicação (Edson Alencar e Hélio Gonçalves Mateus) Vanusa
V Festival Internacional da Canção Popular
TV Globo - 1970
BR-3 (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar) Toni Tornado, Trio Ternura e Quarteto Osmar Milito
O amor é meu pais (Ivan lins e Ronaldo Monteiro de Souza) Ivan Lins
Encouraçado (Sueli Costa e Tite de Lemos) Fábio
VI Festival Internacional da Canção Popular
TV Globo - 1971
Kyrie (Paulinho Soares e Marcelo Silva) Trio Ternura
Descato (Antonio Carlos e Jocafi) Antonio Carlos e Jocafi e Brasil Ritmo