Como sempre, o culpado é o professor. PDF Print E-mail
Written by Cláudio Sant'Ana   
Sunday, 01 February 2009 21:26

 Veja video: aqui

 

A imprensa, assim como boa parte dos politicos deste país adora bater em professor. Como se não bastasse a árdua missão de cumprir o seu trabalho em um país que não lhe dá a mínima condição para tal, é constantemente o alvo predileto.

Este texto não quer, e nem deve, defender os atos de um cidadão que (como qualquer outro) é passível de erro ou desvio ao longo de sua vida. O que chamo a atenção é para o tamanho da divulgação e a forma que foi feita. A mesma matéria acima foi publicada no Jornal Hoje, portanto em cadeia nacional e em horário de almoço. Todas as mães viram.  O direito de informação é imprescindível para a construção de um estado democrático e também para a manutenção dos direitos dos cidadãos. A fiscalização por parte da imprensa e do poder público são essenciais para a melhoria do sistema de educação bem como a melhoria da sociedade em que vivemos.

Mas não houve dialogo e provavelmente não haverá (espero, sinceramente, estar enganado). Somente a mãe foi ouvida. As declarações do poder publico foram evasivas, como sempre. Vamos apurar.

Mas tal fato deve nos levar à reflexão.  Vivemos em uma sociedade que se isenta da obrigação de educar os filhos. Parte da educação básica, como regras de comportamento e de convivência são passadas para as professoras da educação infantil. Poucas são as familias que fazem isso em casa. É como se a educação da escola, ou melhor, a educação formal fosse responsável pela formação de um individuo como um todo. Até regras de higiêne são de responsabilidade das professoras. Coisas que antes aprendiamos em casa.

A falta de incentivo, apoio e preparação dos professores é outro fator marcante. Em época de eleição, vemos através dos cadidatos que os professoes são pessoas extremamente felizes e que ganham muito bem. Tem ótimas condições de trabalho e, praticamente, fazem parte da elite. Visite o site do SINPRO-SP e saiba quanto e como ganha um professor.

As condições de trabalho são praticamente insalubres. Um bom estudo sobre o nível de ruido produzido por uma escola foi publicado em 2001 no Jonal "O Estado de São Paulo". Veja o texto em Noticias do Violão Mandrião.

O pai do aluno no video acima afirma que "se para um adulto já é constrangedor apanhar na cara, imagine uma criança?”. Pois é. Já apanhei na cara de uma criança de 6 anos, que ainda me chamou de nomes impublicaveis. Simplesmente porque o pai da mesma criança havia dito que, como ele paga a escola, os professores eram funcionários deles. Então ele tem a certeza que não precisa lhe obedecer, muito menos respeitar os direitos dos outros colegas. Por isso, meu caro, abandonei as aulas. É impossível manter a sanidade mental quando o seu empregador lhe diz que isso é um acidente de trabalho. Na faculdade não nos ensinam isso.

E por falar em preparo do professor, a edição nº 2083 da revista Veja publicou um artigo do economista Cláudio de Moura Castro sobre os professores. Achei um ótimo texto. Serve também para a reflexão do que deveríamos exigir das instituições de ensino quando tomamos a decisão de sermos professores. Clique para ler o artigo na Revista Veja.

Gostaria, sinceramente, que os professores não fossem mais tratados como os grandes culpados. Pelo governo porque não assumem o verdadeiro papel de promotor de uma educação de qualidade. Pelos políticos, sempre os pivôs para suas plataformas. Pela sociedade, que há muito deixou de respeitar o professor e tratá-lo como um funcionário público que tem a obrigação de fazer qualquer coisa (os professores da rede municipal de São Paulo são responsáveis pelo ensino, entrega de materiais, leite, uniformes e qualquer outra coisa que apareça). E pela imprensa, que sempre coloca os professores - ainda que mal formados - não na condição de réu (O título do DFTV é "Professora segura aluno para ser agredido"), mas na condição de culpado.

Esperamos que a verdade também nos seja transmitida. Caso a professora realmente seja culpada pelos maus tratos, seja julgada e condenada. Mas em caso de inocência, que se tenha a mesma conduta e o mesmo espaço em cadeia nacional. Mostre que há vários bons professores por este país que não são somente criativos diante de diversidades ou que se detacam em concursos. Há milhares de professores anônimos que cumprem o seu papel sem o menor reconhecimento. Simplesmente pelo amor à profissão e por saberem que, lá no fundo, fazem a diferença na vida de milhões de brasileiros.

Já é hora de acabarmos com as 'Escola de Base'.

A imprensa, assim como boa parte dos politicos deste país adora bater em professor. Como se não bastasse a árdua missão de cumprir o seu trabalho em um país que não lhe dá a mínima condição para tal, é constantemente o alvo predileto. Este texto não quer, e nem deve, defender os atos de um cidadão que (como qualquer outro) é passível de erro ou desvio ao longo de sua vida. O que chamo a atenção é para o tamanho da divulgação e a forma que foi feita. A mesma matéria acima foi publicada no Jornal Hoje, portanto em cadeia nacional e em horário de almoço. Todas as mães viram. O direito de informação é imprescindível para a construção de um estado democrático e também para a manutenção dos direitos dos cidadãos. A fiscalização por parte da imprensa e do poder público são essenciais para a melhoria do sistema de educação bem como a melhoria da sociedade em que vivemos. Mas não houve dialogo e provavelmente não haverá (espero, sinceramente, estar enganado). Somente a mãe foi ouvida. As declarações do poder publico foram evasivas, como sempre. Vamos apurar. Mas tal fato deve nos levar à reflexão. Vivemos em uma sociedade que se isenta da obrigação de educar os filhos. Parte da educação básica, como regras de comportamento e de convivência são passadas para as professoras da educação infantil. Poucas são as familias que fazem isso em casa. É como se a educação da escola, ou melhor, a educação formal fosse responsável pela formação de um individuo como um todo. Até regras de higiêne são de responsabilidade das professoras. Coisas que antes aprendiamos em casa. A falta de incentivo, apoio e preparação dos professores é outro fator marcante. Em época de eleição, vemos através dos cadidatos que os professoes são pessoas extremamente felizes e que ganham muito bem. Tem ótimas condições de trabalho e, praticamente, fazem parte da elite. Visite o site do SINPRO-SP e saiba quanto e como ganha um professor. As condições de trabalho são praticamente insalubres. Um bom estudo sobre o nível de ruido produzido por uma escola foi publicado em 2001 no Jonal "O Estado de São Paulo". Veja o texto em Noticias do Violão Mandrião. O pai do aluno no video acima afirma que "se para um adulto já é constrangedor apanhar na cara, imagine uma criança?”. Pois é. Já apanhei na cara de uma criança de 6 anos, que ainda me chamou de nomes impublicaveis. Simplesmente porque o pai da mesma criança havia dito que, como ele paga a escola, os professores eram funcionários deles. Então ele tem a certeza que não precisa lhe obedecer, muito menos respeitar os direitos dos outros colegas. Por isso, meu caro, abandonei as aulas. É impossível manter a sanidade mental quando o seu empregador lhe diz que isso é um acidente de trabalho. Na faculdade não nos ensinam isso. E por falar em preparo do professor, a edição nº 2083 da revista Veja publicou um artigo do economista Cláudio de Moura Castro sobre os professores. Achei um ótimo texto. Serve também para a reflexão do que deveríamos exigir das instituições de ensino quando tomamos a decisão de sermos professores. Clique para ler o artigo na Revista Veja. Gostaria, sinceramente, que os professores não fossem mais tratados como os grandes culpados. Pelo governo porque não assumem o verdadeiro papel de promotor de uma educação de qualidade. Pelos políticos, sempre os pivôs para suas plataformas. Pela sociedade, que há muito deixou de respeitar o professor e tratá-lo como um funcionário público que tem a obrigação de fazer qualquer coisa (os professores da rede municipal de São Paulo são responsáveis pelo ensino, entrega de materiais, leite, uniformes e qualquer outra coisa que apareça). E pela imprensa, que sempre coloca os professores - ainda que mal formados - não na condição de réu (O título do DFTV é "Professora segura aluno para ser agredido"), mas na condição de culpado. Esperamos que a verdade também nos seja transmitida. Caso a professora realmente seja culpada pelos maus tratos, seja julgada e condenada. Mas em caso de inocência, que se tenha a mesma conduta e o mesmo espaço em cadeia nacional. Mostre que há vários bons professores por este país que não são somente criativos diante de diversidades ou que se detacam em concursos. Há milhares de professores anônimos que cumprem o seu papel sem o menor reconhecimento. Simplesmente pelo amor à profissão e por saberem que, lá no fundo, fazem a diferença na vida de milhões de brasileiros.

Já é hora de acabarmos com as 'Escola de Base'.

Last Updated on Saturday, 07 February 2009 21:30
 

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